Eu já cansei de receber aqueles emails super espertos reclamando que, no Brasil, nossas canções de ninar são todas para colocar medo nas crianças. Porque uma fala que "a cuca vai pegar", a outra fala do boi-da-cara-preta, e que os pais vão deixar a criança sozinha, e...
E lá vai o email discorrer sobre os males que isso causa na infância, na sociedade, na cultura e na política etc etc. Pois bem.
Vamos ver aqui nos eua, então. Uma das músicas de ninar mais conhecidas fala que vai colocar o berço do bebê no topo de uma árvore, que depois vai balançar e cair com bebê e tudo - nada agradável ou seguro, convenhamos.
Mas tem uma ainda mais assustadora:
"Hush, little baby, don't say a word.
Mama's gonna buy you a mockingbird
And if that mockingbird won't sing,
Mama's gonna buy you a diamond ring..."
(a mãe continua comprando tudo caso a compra anterior não funcione)
Quer dizer... perto disso, quem tem medo do boi da cara preta?
quinta-feira, 10 de dezembro de 2009
sábado, 5 de dezembro de 2009
O pão nosso de cada dia...
não tem, hoje. E eu juro que minha melhor intenção é levantar do sofá, trocar de roupa e ir no mercado aqui pertinho comprar pão. E depois disso minha intenção é correr pela minha lista de coisas a fazer, e terminar o dia cedo e bem para dar tempo de espairecer.
O problema é que agora fazem -3 graus lá fora, e tá nublado e feio... então por enquanto o sofá tá ganhando.
Eu entendo bem por que os ursos hibernam.
O problema é que agora fazem -3 graus lá fora, e tá nublado e feio... então por enquanto o sofá tá ganhando.
Eu entendo bem por que os ursos hibernam.
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segunda-feira, 30 de novembro de 2009
fuuuu
quando eu era pequena, e via essa florzinha no chão, eu saía correndo; pegava uma, pensava com muito cuidado em um desejo, e depois soprava e via as pétalas voando. talvez elas levassem meu desejo pra todos os cantos, e ele se realizaria.

não lembro o que eu pedia quando era mais nova. mas hoje, se eu achasse uma flor dessa, eu ia pedir pro meu coração ficar bem, bem grande, e crescer sempre mais. pra ele poder dar conta de tantas pessoas queridas que eu tenho na vida. pra dar conta de carregar, dentro dele, a surpresa que é uma amiga falar que eu mudei a vida dela de formas que eu nem imagino. ou pra carregar o abraço apertado, com muitas lágrimas, de umas das pessoas mais bonitas que eu conheci aqui, se perguntando o que vai fazer quando eu for.
ir nunca, nunca é fácil. mas eu não achei que fosse ser tão difícil assim...

não lembro o que eu pedia quando era mais nova. mas hoje, se eu achasse uma flor dessa, eu ia pedir pro meu coração ficar bem, bem grande, e crescer sempre mais. pra ele poder dar conta de tantas pessoas queridas que eu tenho na vida. pra dar conta de carregar, dentro dele, a surpresa que é uma amiga falar que eu mudei a vida dela de formas que eu nem imagino. ou pra carregar o abraço apertado, com muitas lágrimas, de umas das pessoas mais bonitas que eu conheci aqui, se perguntando o que vai fazer quando eu for.
ir nunca, nunca é fácil. mas eu não achei que fosse ser tão difícil assim...
Tum-dum
Amanhã vai ser minha primeira despedida - última reunião da escola que eu participo, então decidi fazer uns brigadeiros e levar de agrados pra todo mundo.
Hoje estávamos fazendo os tais brigadeiros (por "estávamos" leia-se: Marcel fez tudo e eu fiquei colocando a massa no granulado pra ele enrolar). Enquanto ele foi começar a massa pro beijinho, eu terminei de enrolar os últimos brigadeiros, que não ficaram assim, exatamente... redondos. Sei que quando ele voltou, teve que re-enrolar todos os meus.
Feliz e agradecida, fui toda romântica falar com ele: "Oh, meu amor, o que eu faria sem você?"
A resposta?
Brigadeiros quadrados. :o)
Hoje estávamos fazendo os tais brigadeiros (por "estávamos" leia-se: Marcel fez tudo e eu fiquei colocando a massa no granulado pra ele enrolar). Enquanto ele foi começar a massa pro beijinho, eu terminei de enrolar os últimos brigadeiros, que não ficaram assim, exatamente... redondos. Sei que quando ele voltou, teve que re-enrolar todos os meus.
Feliz e agradecida, fui toda romântica falar com ele: "Oh, meu amor, o que eu faria sem você?"
A resposta?
Brigadeiros quadrados. :o)
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cotidiano
prontofalei!
* eu não aguento mais escrever sobre o Somchaay - um menino tailandês, fictício, que habita nossas redações e deveres há mais de um mês. em uma viagem pra Tailândia, Somchaay não se planejou direito e acabou fazendo trabalho forçado em uma fazenda, depois num barco pirata (!!!) e depois teve que dar aula em um templo. já esgotei meus assuntos com ele, podemos falar de outra coisa agora? brigada.
* to viciada em ídolos, confesso. tudo começou quando o marcel quis me mostrar um carinha do interior do ceará que cantava igual ao zezé (o dicamargo). depois foram alguns vídeos no youtube. depois o site pra ver quem era quem... e agora assistimos ao vivo toda semana. e eu torço, imito, rio e não fico mais sem.
* eu morro de vergonha de cantar na frente de alguém, mas juro que minha afinição melhorou MUITO esse semestre, graças a umas poucas aulas de canto que fiz. meu chuveiro super concorda comigo, e é meu maior fã. ;)
* to viciada em ídolos, confesso. tudo começou quando o marcel quis me mostrar um carinha do interior do ceará que cantava igual ao zezé (o dicamargo). depois foram alguns vídeos no youtube. depois o site pra ver quem era quem... e agora assistimos ao vivo toda semana. e eu torço, imito, rio e não fico mais sem.
* eu morro de vergonha de cantar na frente de alguém, mas juro que minha afinição melhorou MUITO esse semestre, graças a umas poucas aulas de canto que fiz. meu chuveiro super concorda comigo, e é meu maior fã. ;)
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quinta-feira, 19 de novembro de 2009
quarta-feira, 18 de novembro de 2009
Mudança
Ontem eu anunciei o carro nos sites daqui para venda e troca de coisas, e até o fim dessa semana o plano é anunciar todo o resto: do secador de cabelo à poltrona na qual estou sentada agora, tudo que fez parte da nossa vida em Ithaca vai embora ser aproveitado por outras pessoas.
No começo, eu não queria vender nada. Minha idéia era colocar tudo em caixas, de preferência organizadas, e colocar num depósito - ou na gararem de alguém - por mais ou menos um ano. Assim, quando voltássemos tudo estaria de volta com a gente.
Depois de um tempo, eu fui pensando não só no trabalho que isso ia dar, mas pensei também em daqui um ano. Chegar de viagem e encontrar todas as mesmas coisas que já não são familiares. Os mesmos pratos, só que empoeirados. Talvez até mofados, quebrados, nunca se sabe. Tudo igualzinho ao que deixamos - menos eu.
Não sei como eu vou estar, ou do que vou gostar, depois de um ano morando na Tailândia. Talvez eu passe a só usar tigelas para comer. Talvez eu queira tudo, tudo colorido em casa. Talvez eu desaprenda o que fazer com um liquidificador.
A questão é: é preciso abrir espaço pro novo. Pras surpresas, pro que há de vir. Pros novos gostos, opiniões e aventuras. E acho que quanto mais espaço eu ocupar com coisas que nem tão sendo usadas, mas só sentadas numa caixa me esperando... bom, menos liberdade eu vou ter pra tentar coisas novas.
Então começou o bazar.
No começo, eu não queria vender nada. Minha idéia era colocar tudo em caixas, de preferência organizadas, e colocar num depósito - ou na gararem de alguém - por mais ou menos um ano. Assim, quando voltássemos tudo estaria de volta com a gente.
Depois de um tempo, eu fui pensando não só no trabalho que isso ia dar, mas pensei também em daqui um ano. Chegar de viagem e encontrar todas as mesmas coisas que já não são familiares. Os mesmos pratos, só que empoeirados. Talvez até mofados, quebrados, nunca se sabe. Tudo igualzinho ao que deixamos - menos eu.
Não sei como eu vou estar, ou do que vou gostar, depois de um ano morando na Tailândia. Talvez eu passe a só usar tigelas para comer. Talvez eu queira tudo, tudo colorido em casa. Talvez eu desaprenda o que fazer com um liquidificador.
A questão é: é preciso abrir espaço pro novo. Pras surpresas, pro que há de vir. Pros novos gostos, opiniões e aventuras. E acho que quanto mais espaço eu ocupar com coisas que nem tão sendo usadas, mas só sentadas numa caixa me esperando... bom, menos liberdade eu vou ter pra tentar coisas novas.
Então começou o bazar.
sábado, 7 de novembro de 2009
Saudade - II
Toda vez que eu conto pra alguém que ano que vem vamos morar na Tailândia, tem sempre umas perguntas e preocupações comuns:
Eu falo a língua? Como eu vou fazer?
Aonde a gente vai morar?
Eu vou trabalhar lá? Como? Com que?
Eu gosto de comida apimentada?
Eu já fui pra lá antes?
Eu penso também sobre todas essas coisas. Não é à toa que to estudando Thai que nem uma louca, e tentando me acostumar com algum nível de pimenta maior que zero, e ao mesmo tempo garantindo que eu sei falar muito bem "sem pimenta, por favor". Também to curiosa pra saber como vai ser a vida lá, se vamos achar um apartamento legal, se vou mesmo conseguir trabalhar...
Mas eu confesso que, depois de ter passado por experiência parecida quando vim aqui pra Ithaca, minha preocupação maior e mais intensa se resume a uma pergunta só:
Será que eu vou ter mesmo coragem de morar em outro lugar e criar MAIS UMA saudade pra minha vida?
Eu falo a língua? Como eu vou fazer?
Aonde a gente vai morar?
Eu vou trabalhar lá? Como? Com que?
Eu gosto de comida apimentada?
Eu já fui pra lá antes?
Eu penso também sobre todas essas coisas. Não é à toa que to estudando Thai que nem uma louca, e tentando me acostumar com algum nível de pimenta maior que zero, e ao mesmo tempo garantindo que eu sei falar muito bem "sem pimenta, por favor". Também to curiosa pra saber como vai ser a vida lá, se vamos achar um apartamento legal, se vou mesmo conseguir trabalhar...
Mas eu confesso que, depois de ter passado por experiência parecida quando vim aqui pra Ithaca, minha preocupação maior e mais intensa se resume a uma pergunta só:
Será que eu vou ter mesmo coragem de morar em outro lugar e criar MAIS UMA saudade pra minha vida?
quarta-feira, 28 de outubro de 2009
Saudade
A saudade quando vem, vem bem quietinha. Ela não faz barulho, que é pra eu não saber que ela tá chegando. Me toma de surpresa, e quando menos espero sinto uma falta de ar que começa no peito, e depois sobe pra garganta, e toma todos os meus pensamentos.
Às vezes a saudade começa do abstrato, do maior: o cheiro da cidade; as cores; o barulho do trânsito, a retidão do eixão, as árvores tortas, os debaixo-dos-prédios.
Ela vai então diminuindo... a varanda do quarto, os corredores da UnB, a parede amarela do Interagir (a saudade me surpreende sempre também!), a casa de amigas, a padaria, a sorveteria preferida, a casa, os lugares. Os lugares...
Aí ela vai chegando naquilo que eu não consigo descrever ou mensurar - risadas, abraços, conversas. Danças, caronas, colos, ombros. Festas, forrós, sambas, saias rodadas. Sofás, presenças, árvores com iniciais, andanças em parques, confissões em bares. Estudos de madrugada, brigadeiro antes de dormir, jogos até de manhã, segredos. Risadas soltas, bilhetes trocados, telefonemas eternos. Almoço na beira do lago, cafés que duram várias horas, famílias que se misturam. Vida que se trança inteira, e continua pulsando mesmo de longe.
De longe acho até que pulsa mais.
Às vezes a saudade começa do abstrato, do maior: o cheiro da cidade; as cores; o barulho do trânsito, a retidão do eixão, as árvores tortas, os debaixo-dos-prédios.
Ela vai então diminuindo... a varanda do quarto, os corredores da UnB, a parede amarela do Interagir (a saudade me surpreende sempre também!), a casa de amigas, a padaria, a sorveteria preferida, a casa, os lugares. Os lugares...
Aí ela vai chegando naquilo que eu não consigo descrever ou mensurar - risadas, abraços, conversas. Danças, caronas, colos, ombros. Festas, forrós, sambas, saias rodadas. Sofás, presenças, árvores com iniciais, andanças em parques, confissões em bares. Estudos de madrugada, brigadeiro antes de dormir, jogos até de manhã, segredos. Risadas soltas, bilhetes trocados, telefonemas eternos. Almoço na beira do lago, cafés que duram várias horas, famílias que se misturam. Vida que se trança inteira, e continua pulsando mesmo de longe.
De longe acho até que pulsa mais.
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sábado, 24 de outubro de 2009
Não basta ser tia...
Coisas que eu aprendi hoje passando o dia com a Camilinha:
- sempre que você for para um lugar que tenha qualquer atividade envolvendo pintura, leve jornais ou papéis velhos para cobrir seu carro - assim você pode carregar a obra prima com segurança;
- nunca tente equilibrar uma abóbora num prato, não importa quão pequena e inofensiva ela possa parecer. Se a abóbora estiver cheia de tinta... bom, você deveria ter pensado em levar um tupperware pra festa;
- os muffins servidos nos lugares nunca são os muffins certos;
- poucas coisas na vida são tão interessantes quanto glitter e purpurina;
- a exceção para a regra acima é um pula-pula - óbvio;
- um abraço é tanta coisa que só cabe dentro mesmo de um abraço, e é a melhor forma pra encerrar qualquer dia!

Camila muito concentrada decorando sua abóbora
- sempre que você for para um lugar que tenha qualquer atividade envolvendo pintura, leve jornais ou papéis velhos para cobrir seu carro - assim você pode carregar a obra prima com segurança;
- nunca tente equilibrar uma abóbora num prato, não importa quão pequena e inofensiva ela possa parecer. Se a abóbora estiver cheia de tinta... bom, você deveria ter pensado em levar um tupperware pra festa;
- os muffins servidos nos lugares nunca são os muffins certos;
- poucas coisas na vida são tão interessantes quanto glitter e purpurina;
- a exceção para a regra acima é um pula-pula - óbvio;
- um abraço é tanta coisa que só cabe dentro mesmo de um abraço, e é a melhor forma pra encerrar qualquer dia!
Camila muito concentrada decorando sua abóbora
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